A paixão pela bicicleta vem de infância. Quando namorávamos, Priscila e eu começamos a participar de competições e ficamos neste mundo de performance até o pequeno Léo nascer. A partir daí surgiu a grande questão de quem cuidaria do bebê quando fôssemos treinar.
Nesta fase, Priscila teve a brilhante ideia de adquirir nosso primeiro Bike Trailer Thule (carretinha adaptada para levar criança). Deste dia em diante tivemos que organizar nossas pedaladas para serem mais tranquilas, em lugares mais calmos e também deveriam ser divertidas para o mais novo membro. Foi aí que conhecemos o cicloturismo.
A primeira cicloviagem do Léo foi quando ele tinha apenas 1 ano e 1 mês. Quando vieram as Marias, nossa primeira preocupação não foi o carrinho de bebê ou o quarto, mas sim adquirir mais um bike trailer para que toda a família pudesse desfrutar do mesmo prazer.
Quando completaram 1 ano e 2 meses, as Marias, Léo e seus pais já estavam enfrentando o Circuito do Vale Europeu, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina.
Deste dia em diante só fomos ampliando os planos até surgir um plano de viagem internacional. Antes disso já tínhamos cicloviajado por mais de quatro estados do Brasil. Porém, como para muitos, a pandemia freou nossos planos, sendo obrigados a esperar uma nova oportunidade para sair por aí de bicicleta em família.
Eu, José Leonardo, passei por um grande desafio profissional durante as fortes chuvas que caíram na região sul em 2023. Foram meses longe da família, onde todos sentiram muito a ausência um do outro.
Já tínhamos o plano desde 2019, faltava apenas coragem ou algum motivo que incentivasse uma decisão. Quando retornei para passar as festas de fim de ano, conversamos muito (eu e Pri) e discutimos o quanto a falta de um pai ou uma mãe pode impactar na infância e criação dos filhos.
Foi aí que criamos coragem e marcamos a data de saída: 13/06/24, quando embarcaríamos para a maior aventura de nossas vidas.
Sim. Desde novo sempre foi meu meio de transporte e sempre me trouxe muito prazer. Pri começou a pedalar quando começamos a namorar — um pouco de incentivo, mas no fundo ela sempre gostou de atividades ao ar livre, apesar de passar boa parte da juventude em passarelas, desfilando em concursos de beleza.
Para fora do país em bicicleta e com toda a família, não. Porém no Brasil tivemos oportunidade de fazer várias cicloviajens curtas de até 30 dias, que nos prepararam e instigaram a voar mais alto.
Não. Minha mãe foi bem resistente, não concordava com a ideia dos netos terem uma vida nômade. Meu pai, que é ciclista e cicloturista, apoiou e incentivou. Minha irmã incentivou, mas ficou balançada devido ao posicionamento dos meus pais.
Por parte da Pri, ela é filha única; sua mãe é falecida e seu pai não se opôs ao sonho.
Pegamos um ônibus do Brasil até Cusco, Peru. Passamos dez dias aclimatando até iniciar a pedalada, descendo até o Lago Titicaca e conhecendo lugares icônicos e extremamente isolados.
Cruzamos os salares do altiplano boliviano e parte do Chile. Depois cruzamos Chile e Argentina, percorrendo mais de cinco mil quilômetros até o coração da Patagônia, onde atualmente estamos quase chegando em Ushuaia, a cidade mais austral da América do Sul.
Estamos em pleno pedal ainda, mas temos meta de concluir esta etapa América do Sul até abril, totalizando cerca de 10 meses.
Aprendemos a viver somente com o essencial. Nos alforges não temos pertences, mas equipamentos — tudo tem uma função.
Para sustentar financeiramente o projeto, fizemos economia nos últimos quatro anos, deixando de lado muitas vaidades, pois nosso objetivo era proporcionar uma criação focada em vivências e experiências outdoor.
Estabelecemos um teto de gasto mensal e aprendemos a viver com menos de um terço do que gastávamos em casa. Barraca, refúgios e casas de famílias entusiastas passaram a ser nosso lar, e o quintal virou o mundo.
Depende do clima e do terreno. Em trechos difíceis raramente passamos de 50 km por dia. Nos mais favoráveis, acima disso. Nossa maior distância foi 111 km e a menor apenas 12 km.
Preferimos dizer que estão aprendendo. Cada um é responsável por seu equipamento, criando senso de responsabilidade.
Aprendem leitura de mapas, clima, planejamento e convivência. Praticamos espanhol diariamente para facilitar a interação local.
Para educação formal usamos apostilas digitais equivalentes à escola, cadernos físicos e um tablet compartilhado. Contamos também com apoio de educadores, pedagogos e uma psicopedagoga que acompanha o desenvolvimento das crianças.
No Peru e Bolívia foram altitude, frio e vento. Dormíamos abaixo de zero e enfrentávamos rajadas acima de 60 km/h.
No Chile e Argentina enfrentamos fortes chuvas, frio intenso e vento constante, fatores decisivos para avançar ou parar.
Perrengues foram inúmeros, mas com experiência viram desafios.
Um marcante foi próximo à divisa Argentina–Chile, em Puente del Inca. Ficamos presos por neve após o fechamento preventivo da rodovia. Enfrentamos quase 50 cm de neve enquanto as crianças viviam a experiência única de brincar nesse ambiente.
Recebem uma carga enorme de experiências sensoriais. A natureza muda tudo: chuva, cheiro da terra, paisagens, decisões diárias.
Claro que sentimos falta de casa, mas explorar o novo cria memórias eternas.
Compartilhamos nas redes (@familybike). Comentários positivos dão energia; os negativos não afetam.
A maioria das mensagens fala sobre paz e felicidade transmitidas pela experiência, o que nos enche de alegria.
Somos de Morretes/PR:
José Leonardo — 38 anos
Priscila — 37 anos
Leonardo — 9 anos
Maria Julia — 7 anos
Maria Luiza — 7 anos
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